A perigosa e dispendiosa "cultura do fármaco"
A "cultura" do fármaco tornou-se ao longo dos anos, para além de um bilionário caso económico, um tenebroso caso de Saúde Pública, que pessoas e sucessivas governações, persistem conscientemente continuar a ignorar.
Fruto da conjugação entre características de personalidade dos Portugueses e de um Mundial e poderoso lobby médico-farmacêutico, instalou-se em Portugal, ao longo dos anos, o que denomino de "cultura" do fármaco. A crença, de que estes para tudo são precisos e que tudo resolvem. Esta é a realidade vivida diariamente, não apenas no caso particular dos psicofármacos, mas dos fármacos em geral.
A maior parte dos problemas que levam as pessoas imediata e recorrentemente à farmácia, são preveníveis e resolvidos sem eles. Esta inversão da "cultura" do fármaco, traria um benefício económico de muitos milhões, quer directamente no bolso dos Portugueses, quer na oceânica despesa do Estado comparticipante.
O mesmo lobby, faz igualmente pouca questão em alertar para as consequências secundárias e perigosas do consumo crónico destes medicamentos na saúde em geral.
No caso particular dos psicófarmacos, à semelhança da farmacologia de tratamento de inúmeros vírus, a sua função é exclusivamente minorar no imediato sintomas limitantes e consequentes do sofrimento psicológico e psicossomático, não a resolução destes!
Todavia como em qualquer outra adição, não resolver, é precisamente a razão que sustenta a contínua dependência dos mesmos para mitigar o consequente agravamento de sintomas. É nesta "cultura" do fármaco que cronicamente padecem inúmeras pessoas. Igualmente, o fácil acesso, a sua licitude (serem drogas lícitas), a sua ampla promoção e prescrição médica, alimenta severamente o seu crónico consumo.
A dependência psicofarmacológica, por somente inibir a sintomatologia da doença mental, tornam esta um fenómeno crónico.
Por: Miguel Dinis
Publicado em 11 de Março de 2020








