O que tem feito pela sua Saúde?

 

Há alguns dias atrás celebrou-se mais um dia da Saúde Mental. Embora cada vez mais se fale dela, isso não basta, tendo em conta a sua importância na vida das pessoas e os índices preocupantes que Portugal apresenta, reforçados no primeiro Estudo Epidemiológico Nacional de Saúde Mental - 1º Relatório.

Destacam-se nas múltiplas conclusões que este estudo nacional revela:

  • Que "a prevalência das perturbações psiquiátricas em Portugal é muito elevada: mais de 1 em cada 5 dos indivíduos da amostra apresentou uma perturbação psiquiátrica nos 12 meses anteriores à entrevista. É a "segunda prevalência mais alta a nível europeu (…)"
  • Especificamente "as perturbações de ansiedade são o grupo que apresenta uma prevalência mais elevada no nosso país (16.5%). Seguem-se as perturbações depressivas, as perturbações de controlo de impulsos e por abuso de substâncias."
  •  Quanto ao género, enquanto "as mulheres apresentam mais perturbações depressivas e perturbações de ansiedade, os homens apresentam mais perturbações de controlo de impulsos e de perturbações por abuso de substâncias."
  •  Na associação ao rendimento "Em Portugal, o nível de rendimento não mostra associações significativas com as variáveis de morbilidade psiquiátrica."

A OMS em conjunto com o Banco Mundial e a Universidade de Harvard, já em 1996, evidenciaram em relatório que as perturbações psicológicas e relacionadas com o consumo de álcool e outras substâncias, estão mundialmente entre as principais causas de incapacidade e morte prematura. Que a depressão, a esquizofrenia, a doença bipolar, as perturbações pela utilização de álcool e a perturbação obsessivo–compulsiva, estão entre as dez primeiras causas de incapacidade mundial, prevendo-se que a depressão ocupe muito em breve o primeiro lugar da carga global de doenças. Desde aí, passou a haver cada vez mais evidência cientifica de que a Saúde Mental é a base de uma vida equilibrada.

Voltando ao inicio, apesar da sua importância e da gravidade da situação em Portugal, esta ainda não teve uma correspondência direta na mentalidade e comportamento das pessoas e governantes em geral, ao contrário do que já acontece em outros países. Dado esta realidade, não são assim surpresa os resultados agora revelados neste estudo.   

Se ao nível da medicina preventiva, cuidados alimentares e exercício físico se tem assistido a uma preocupação e evolução interessante na sociedade portuguesa, o mesmo não é verdade nos cuidados e prevenção em saúde psicológica.

A procura de acompanhamento especializado nesta área, é ainda encarada pela generalidade dos portugueses, com estigma e preconceito. Estes conduziram ao preocupante hábito de conviver com a perturbação, como se de normalidade se tratasse, agravando-se a perda diária na saúde global, na qualidade das relações, como igualmente no absentismo e desempenho profissional. Nesta linha urge também um estudo nacional que avalie concretamente as perdas económicas diretas e indiretas consequentes destas perturbações.

Acontece maioritariamente na aflição, quando o desequilíbrio se agrava ao extremo de já não ser possível conter comportamentos e o agudizar de sintomas, atenuá-los quimicamente. O recurso imediato é ao médico e de seguida à farmácia, vistos como panaceia dos "males mentais". Este padrão de fuga às causas e à procura de resposta especializada, explica a sua prevalência. No mesmo sentido, a intensa busca de respostas, "terapias" e serviços, que visam apenas o relaxamento, alivio de tensões e stress diário, sem resolução das suas causas.

Concluindo, apesar da realidade, não existem ainda hábitos generalizados e rotinas de prevenção em Saúde Mental, à semelhança do que já acontece no que toca aos cuidados médicos. É por isso urgente, esta mudança de mentalidade através de uma maior consciencialização das pessoas, hábitos de prevenção por check-ups regulares de saúde psicológica e o acompanhamento aos primeiros sinais e sintomas de perturbação. São comprovadamente, cada vez mais a principal causa de incapacidade, agravada agora pelos efeitos psicológicos das medidas Covid-19. Estão na base da maioria dos problemas de saúde em geral, pelos seus reflexos, ao nível hormonal, neuroquímico e equilíbrio imunitário, do consumo de substâncias e comportamentos de risco. Impossibilitam todo o normal desenvolvimento pessoal, profissional e organizacional.

Neste sentido, no Ginásio da Pessoa, acrescentando à Consulta da Pessoa & Profissional, terá muito brevemente, a Consulta de Check-up, de forma a responder igualmente no âmbito da prevenção.

Espero por si!

Por: Miguel Dinis

Publicado em 18 de Outubro de 2020 

 

 

 

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