Quer atingir a sua "Zona de Conforto"?
Construa a sua zona de conforto pessoal e profissional… Não é verdade a ideia de que a "felicidade começa onde a sua zona de conforto acaba".
Poderá até iniciar um verdadeiro pesadelo…
Numa opinião reflectida, vejo como preocupante fenómenos recentes em Portugal, ao nível das "Motivações de Impacto" e afins, muito sedutoras do Ego e extremamente apelativas às ilusões e imediatismos das pessoas de hoje. Contudo, sem estas terem noção, aumentam a sua resistência à aprendizagem em lidar com tudo o que lhes desagrada, nos contextos pessoais ou profissionais, apenas por serem diferentes das suas pretensões individuais.
É como se de repente as pessoas agora insistissem, cada vez mais, em não admitir que isso seja, como sempre será, um lugar comum no viver entre Humanos, em que é impreterível para se atingir o conforto pessoal e profissional, aprender a conviver com diferentes vontades e formas de agir.
A fantasia veiculada por estas "avalanches motivacionais", instigadoras à fuga para "o paraíso ali à porta...", é deveras sedutora, uma vez que a real construção da zona de conforto, ao invés, exige crescimento e confronto diário para aprender e melhorar, bem como compreender e lidar com tudo aquilo que não se gosta, em si e nos outros.
Não é, assim, da zona de conforto que as pessoas estão a fugir, mas sim do constante desconforto causado por esta resistência ao desenvolvimento pessoal e profissional sustentado.
O resultado deste fenómeno comportamental é o desalento e insatisfação constante que grassa na nossa sociedade e que todos comentam, apesar de hoje termos materialmente mais de tudo do que em tempos passados.
Não é do acaso, que hoje em tudo se apregoa sobre a importância do Amor… será com certeza por síndrome (queixas) de vazio do mesmo, uma vez que hoje a capacidade de gostar do outro, que alimenta a disponibilidade para compreender as suas diferenças, está genericamente mais diminuída.
Sempre será mais fácil reclamar de outrem do que confrontar-se. É deveras narcísico e agradável ouvir que somos todos uns "Super-Homens" capazes de tudo e mais alguma coisa. De facto, o potencial está em nós, mas apenas ouvir isso somente alimenta ilusões do Ego e uma falsa auto-estima, que se frustra no primeiro desafio real e lá vem o desconforto, que por sua vez despoleta nova fuga…
A verdade, é que este Potenciar exige desenvolvimento e melhoria contínua de capacidades e processos mentais.
Assistimos hoje ao Fast Food motivacional que estimula e se alimenta da insatisfação constante das pessoas, e as procura "empurrar", numa fuga incessante a tudo o que agora se nomeia de "zona de conforto", quando em boa verdade quem está confortável, não tem porque mudar nada! Uma Fuga incessante a si mesmas e ao encontro com o Outro... E a aprender a conviver com as diferentes realidades, pois o problema está sempre "dentro" e não "fora"…
Vemos muito este fenómeno na moda do empreendedorismo, fortemente alimentada por "Gurus da Motivação", que (querendo ganhar a vida) injectam massivamente ilusões e chavões de Liderança, Motivação, Gestão do Tempo, de Equipas, etc.., fazendo esta moda parecer mais um "grito imaturo de afirmação tardia" e "fuga às figuras de autoridade", do que algo consciente e maduramente decidido e planeado.
(Parece-me mais sensato fazer-se os respectivos Cursos com direito pleno a um Certificado Profissional)
Desatar a desejar "Empreender" ou simplesmente "mudar de ares", entre sucessivos contextos pessoais ou profissionais, não produz mudança alguma em si, se não estiver disposto a envolver-se e a implicar-se genuinamente, para o que der e vier, nessa tomada e prossecução de decisões…
Empreendedorismo, tal como em tudo no desenvolvimento pessoal ou profissional, implica acreditar em si e na humildade da aprendizagem contínua, ou de outra forma, asseguro-lhe que encontrará um maior desconforto e até pesadelo!
Por: Miguel Dinis
Publicado em 31 de Julho de 2019








